sábado, 26 de abril de 2008

Duas Caras, será que é boa?

Cena em que Ferraço e Maria Paula se beijam


Lembro-me quando assistia Paraíso Tropical (saudades da catiguria da Bebel) e vi a divulgação da, na época, nova novela das 8, "Duas Caras" que trazia o primeiro papel protagonista para a excelente atriz da nova geração Marjorie Estiano. Fiquei empolgado porque sou fã da atriz desde os idos de Malhação quando ela roubava a cena como Natasha e, depois, em Páginas da Vida deu novo show de interpretação.

Duas Caras chegou e, em uma semana de exibição eu vi que não dava para assistir. Afinal, quem acreditaria que em três dias a menina perderia os pais, se casaria com um estranho, assinaria uma procuração e levaria um golpe? Ali ficou claro, a história central não vai funcionar. E não funcionou... o restante da novela foi todo centrado em vários núcleos e, as vezes, apenas as vezes, o centro voltava a ser Maria Paula e sua obcessão por Adalberto Rangel.
Depois que a mocinha encontrou o bandido com o nome de Marconi Ferraço eu pensei que a história iria evoluir, que nada, ja estava tudo perdido e não tinha conserto, o jeito era levar os dois como protagonistas no papel e não na prática e se esquecer que Duas Caras teve núcleo central.
A aposta até que deu certo, outros núcleos cresceram, só pra variar um pouco Antônio Fagundes roubou a cena e fez de Duas Caras a novela, justamente, de Juvenal Antena a quem ele interpretou com perfeição impecável. Outros atores se destacaram ao longo da trama, como Sheron Menezes (alguém lembra dela em Belíssima?) que interpreta com firmeza Solange. Falar de Marília Pêra é perder tempo, todos sabem que ela é brilhante e a Gioconda é perfeita, tanto no núcleo cômico como em momentos dramáticos. Flávia Alessandra se destacou em seu papel de Alzira e tem segurado bem o rojão. Como o núcleo religioso da novela que também está bem, além do ótimo triângulo-amoroso meio gay.
Enfim, a novela é boa se analisarmos os núcleos separadamente, mas se juntar tudo e lembrar que é apenas uma obra, definitivamente não dá pra classificar como uma boa trama. A história não anda - sim, tem dias na novela que levam 6 capítulos para acabar - e a maioria das cenas são desnecessárias e existem erros bizarros, como a gravidez da Débora que é óbvio que só pode ter o Antônio como pai da criança, já que se passaram sete meses na novela e a Debby não traia mais o esposo, logo, só ele pode ser o pai.
Mas ainda há salvação para o todo, Aline Moraes tem arrasado no papel da vilã Sílvia, as cenas dela são muito bem escritas e ela, ao lado de Dalton Vigh estão muito bem. Dalton Vigh, aliás, que conseguiu criar um personagem que tinha tudo para dar errado, certo. Marcone Ferraço nunca foi vilão. Ele foi uma criança que foi vendida pelos pais e, sem opção, cresceu aprendendo a ser pilantra e a dar golpes, mas nunca foi malvado por natureza. O público cativou-se pela bela interpretação de Dalton e agora o autor terá que recolocar a novela nos trilhos deixando Maria Paula e Ferraço juntos, que é o que todos querem.
Maria Paula aliás, que realmente não tem o maior destaque da novela, mas todas as vezes que a cena exige Marjorie Estiano arrasa em sua interpretação, dando o tom exato que a personagem precisa. Espero que essa mocinha sem graça não a deixe marcada nos próximos anos.
Ah, esperamos um bom fim para Duas Caras e que venha a nova novela, que parece ser bem mais interessante.
por Daniel César